segunda-feira, 12 de setembro de 2011
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Rasgada por Jussara Soares 6 Agora rasga o verbo
terça-feira, 12 de abril de 2011
CRESCER DÓI
Rasgada por Jussara Soares 4 Agora rasga o verbo
quarta-feira, 16 de março de 2011
INSPIRADAS
A ilustração abaixo me deixou especialmente emocionada por resgatar um poema de Ana Cristina Cesar - e um período em que Ana C. era minha companhia mais constante.
Inspiradas e inspiradoras essas moças.

Rasgada por Jussara Soares 0 Agora rasga o verbo
segunda-feira, 14 de março de 2011
"DESENHE SEUS PRÓPRIOS PÉS"
Para Edma Nogueira
Cá estou a fazer o contorno dos meus pés, seguindo um antigo conselho seu, o mais sábio que ganhei e pelo qual teria investido uma boa quantia: “Desenhe seus próprios pés.” Observo as extremidades deles e encaro as deformidades não corrigidas na infância – e que um dia você notou, lembra? Seria essa a razão para passos, às vezes, tão vacilantes?
Nunca soube pisar duro, vou na ponta dos pés.
Passo o lápis rente à pele, o seguro firme para não escapar o traço. É para entender melhor os caminhos que meus pés vão apontar. “Vá por onde eles indicarem”: essa foi a segunda parte do seu conselho, que era um post-scriptum em o “Cântico Negro”, de José Régio. Aquele que diz: “Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos...”
E comecei a desenhar pelo pé esquerdo. O direito tem esse pressuposto de boa sorte que me incomoda. Quero o que vier e o que estiver pelo caminho. Dá medo, mas não há melhor modo para aprender, passo a passo, do que nas incertezas do próprio rumo. Garantias demais estragam as surpresas, intimidam o acaso. E o que eu mais quero é perder o fôlego a cada curva da estrada. Esta que meus pés acabam de me indicar.
Já sei por onde vou.
Rasgada por Jussara Soares 4 Agora rasga o verbo
domingo, 13 de março de 2011
LUGAR NENHUM
Eduardo Galeano
Rasgada por Jussara Soares 0 Agora rasga o verbo
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
SWEET ROAD SONG
Rasgada por Jussara Soares 1 Agora rasga o verbo
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
NO FRONT
Não adianta me provocar
Usar comigo estratégias bélicas
Eu não declaro guerra
Só te declaro amor
(20/05/2001)
Rasgada por Jussara Soares 2 Agora rasga o verbo
domingo, 25 de julho de 2010
SÓ SOFRO EM PARIS
É normal. Às vezes a vidinha segue muito mais ou menos. Não é sempre que ela pulsa vibrante, te dá flores ou é doce como chocolate ao leite. Tampouco é uma festa sem fim a ponto de banalizar o champanhe. Não é. E eu bem sei disso.
Aprendi ainda criança que não é todo dia que dá para fazer piquenique na cachoeira porque não é todo dia que tem sol. Tem dias cinzas, de melancolia arrastada, que chega a chover de tristeza. Mas aí, com a sabedoria infantil, a gente desenhava o sol em volta de um formigueiro, jogava sal e, como mágica, o céu abria. E era a coisa mais linda.
Apesar ser minha fruta preferida, percebi logo cedo que não era o ano inteiro que dava para comer jabuticaba no pé da árvore do quintal lá de casa. Era preciso esperar chegar a primavera e o verão. Demorava, mas, "quando menos se esperava", chegava.
O futebol me ensinou muito também. Impossível o meu Vasco ganhar todas, mas tem sempre um outro jogo em que a vitória liberta o grito de campeão, que outrora ficou engasgado. Perfeccionista, tive que aprender, não sem sofrimento, que erro com frequência. E assim me permiti ser mais humana.
O tempo passa, a gente aumenta as distâncias e descobre que alguns amigos se perdem na multidão. E, por isso, você gosta ainda mais daqueles que ficaram e se abre para que outros cheguem. Numa mesa de bar, num fim de noite, só por tê-los por perto você olha para o seu copo de cerveja pela metade e, definitivamente, acha que ele "está meio cheio".
Aí você se apaixona e nem sempre a recíproca é verdadeira. Dói, mas passa. E quando o amor acontece e, depois, acaba, você se lembra que leu uma crônica de Paulo Mendes Campos que dizia que o amor acaba "para recomeçar em todos os lugares." E é a mais pura verdade.
Foi então que, para economizar o dinheiro com terapia e abandonar o Prozac, tomei uma decisão na minha vida: só sofro em Paris. Chorar na beira do Rio Sena vira filme existencial francês. E é até bonito. No resto do mundo, é melhor tentar ser feliz. Mesmo na adversidade.
Rasgada por Jussara Soares 8 Agora rasga o verbo
quinta-feira, 4 de março de 2010
SEI LÁ, MIL COISAS
Sei lá, mil coisas... E o pior é que hoje ainda estou sentindo frio nos pés.
Rasgada por Jussara Soares 7 Agora rasga o verbo
domingo, 8 de fevereiro de 2009
FÉRIAS DE MIM*
Às vezes, eu me canso. E não é só o cansaço do trabalho, é também o da minha dedicação continuada ao ócio. Não é apenas a exaustão de uma rotina de compromissos, é ainda a imprevisibilidade do que me espera num dia vazio. É o resultado das noites sem dormir e dos dias em que não consegui abrir os olhos.
Das longas caminhadas ao sol e após horas estirada numa rede na sombra, costumo chegar ofegante. Falta-me o ar. Suor. Dor no peito.
Trago nos ombros – cada vez mais arqueados – o peso das grandes obrigações e das pequenas irresponsabilidades. É a fadiga de quem corre contra o tempo e de quem vê, sem reação, o tempo correr contra.
Sinto-me sem forças para continuar e sem energia para parar. Seguir em frente ou voltar atrás, tanto faz. Será quase um esforço sobre-humano para quem traz desde sempre o cansaço da vida toda - a que se foi e a que há de vir.
Quando me repito em antigos dilemas existenciais e quando me inauguro em novos conflitos pseudofilosóficos, eu me canso – e aos outros também, mas não mais que a mim. E sigo cansando-me, cotidianamente, com meu repertório de acalorados discursos insensatos e com a lucidez apática da minha mudez.
Ah, como estou farta de tantos sonhos e não ter planos. De procurar tanta gente e não me encontrar em nenhuma delas. De me livrar (de tudo) e de me prender (a nada). De correr e não sair do lugar. De parar e continuar indo. De estar do lado certo e ir sempre na contramão. De inspirar. De expirar.
Tudo isso me cansa. É necessário dar um tempo de mim. Preciso de férias: pernas para o ar e para que te quero. Volto (a mim) em breve.
*Publicada originalmente no Mimeographo
Rasgada por Jussara Soares 20 Agora rasga o verbo


